O preço invisível da IA gratuita: onde você está colocando seus dados?

Por DataShield Brasil

A Inteligência Artificial deixou de ser algo distante ou futurista. Ela já faz parte do nosso dia a dia, no trabalho, em casa, no celular e no computador. Empresas utilizam IA para ganhar produtividade, enquanto profissionais recorrem a essas ferramentas para escrever textos, revisar documentos, resumir contratos, organizar informações e até apoiar decisões estratégicas.

Grande parte desse uso acontece por meio de plataformas gratuitas. E é justamente aí que surge um ponto pouco discutido, mas extremamente sensível.

O que muitas pessoas ainda não percebem é que, quando algo é oferecido gratuitamente, quase sempre existe uma contrapartida. No caso da Inteligência Artificial, o pagamento pode estar nos dados que você fornece, muitas vezes sem se dar conta disso.

Este artigo foi elaborado pela DataShield Brasil, especialista em privacidade, proteção de dados e governança da informação, com o objetivo de levantar um alerta necessário. Você sabe o que realmente acontece com seus dados quando utiliza ferramentas gratuitas de IA?


IA gratuita não é filantropia: como esse modelo funciona na prática

Manter plataformas de Inteligência Artificial exige investimentos elevados em infraestrutura, servidores, processamento e desenvolvimento contínuo. Nada disso é gratuito para quem opera essas soluções.

Por esse motivo, a maioria das ferramentas gratuitas funciona com modelos que envolvem, direta ou indiretamente:

  • o uso das interações dos usuários para treinar e aprimorar algoritmos
  • a análise de comportamento para melhorar produtos e direcionar estratégias comerciais
  • o compartilhamento de informações com parceiros tecnológicos, de forma direta ou indireta
  • o armazenamento de prompts, textos e respostas por longos períodos

Na prática, a lógica é simples e bastante conhecida no mundo digital. Quando você não paga pelo produto, o valor está, muitas vezes, nos seus dados ou no uso que é feito deles.

Além disso, qualquer informação enviada a uma plataforma gratuita de Inteligência Artificial deixa de estar sob o seu controle direto. Esses dados passam a existir fora do ambiente da empresa, sem rastreabilidade clara e, na maioria dos casos, sem garantias compatíveis com a LGPD. Quando isso ocorre em ambientes corporativos, o cenário é ainda mais grave, pois pode caracterizar vazamento de dados, alerta Elmer Oliveira, CEO da DataShield Brasil.


O risco real: quando dados pessoais entram na conversa

No uso cotidiano dessas ferramentas, é muito comum que pessoas e empresas acabem inserindo informações como:

  • nome, e-mail, CPF e telefone
  • informações profissionais ou corporativas
  • contratos, pareceres e estratégias internas
  • dados de clientes, pacientes ou colaboradores
  • informações financeiras

Em muitos casos, também são inseridos dados sensíveis, como:

  • informações de saúde
  • dados biométricos
  • convicções religiosas ou filosóficas
  • filiação sindical
  • dados de crianças e adolescentes

De acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD (Lei nº 13.709/2018), esse tipo de informação exige base legal específica, finalidade clara, controle, segurança e governança.

O problema é que a maioria das ferramentas gratuitas de Inteligência Artificial não foi desenvolvida levando em consideração as exigências da legislação brasileira de proteção de dados quanto ao tratamento seguro de dados pessoais sensíveis.


O que a LGPD exige e o que muitas IAs gratuitas não deixam claro

Do ponto de vista jurídico e regulatório, o uso de Inteligência Artificial deve respeitar princípios fundamentais, como:

  • finalidade, garantindo que o dado seja utilizado apenas para o propósito informado
  • necessidade, com coleta mínima e sem excessos
  • transparência, com clareza sobre uso e compartilhamento
  • segurança, protegendo contra acessos não autorizados e vazamentos
  • prevenção, com identificação e mitigação de riscos
  • responsabilização, permitindo demonstrar conformidade

Quando dados pessoais são inseridos em uma plataforma gratuita de IA, muitas vezes não existem respostas claras para perguntas básicas, como:

  • onde esses dados são armazenados
  • em que país estão localizados os servidores
  • se existe transferência internacional de dados
  • por quanto tempo as informações são mantidas
  • se os dados são utilizados para treinar modelos
  • se há compartilhamento com terceiros

Essa falta de clareza pode expor empresas e profissionais a riscos legais, contratuais, regulatórios e reputacionais relevantes.


Um erro comum e perigoso: “é só um teste rápido”

Nos diagnósticos de maturidade em privacidade realizados pela DataShield, um padrão aparece com frequência. A falsa sensação de segurança.

Frases como estas são recorrentes:

“É só um rascunho.”
“É só um contrato simples.”
“É só uma lista de clientes.”
“É só um prompt rápido.”

Na prática, qualquer informação enviada deixa de estar sob controle exclusivo de quem a forneceu. A partir do momento em que o dado entra em uma plataforma externa, ele passa a fazer parte de um ecossistema que o usuário não controla totalmente.


Como ferramentas gratuitas de IA costumam utilizar os dados

Cada plataforma possui suas próprias políticas, mas, de forma geral, os dados podem ser utilizados para:

  • treinamento e refinamento de modelos de Inteligência Artificial
  • detecção de padrões e comportamentos
  • monitoramento de uso e prevenção de abusos
  • desenvolvimento de novos produtos e funcionalidades
  • compartilhamento com fornecedores de infraestrutura e tecnologia

Mesmo quando existe a promessa de anonimização, dados corporativos, estratégicos ou contextuais podem ser reidentificados dependendo do cenário.


É possível reduzir riscos? Sim, mas exige atenção

Algumas plataformas oferecem configurações de privacidade mais restritivas, como a possibilidade de desativar o uso de dados para treinamento ou limitar a retenção das informações. O problema é que essas opções raramente vêm ativadas por padrão.

Boas práticas essenciais incluem:

  • nunca inserir dados pessoais sensíveis
  • evitar o uso de dados reais de clientes ou colaboradores
  • anonimizar informações sempre que possível
  • ler com atenção as políticas de privacidade
  • desativar o compartilhamento para treinamento, quando disponível
  • utilizar contas corporativas com configurações restritivas
  • priorizar soluções empresariais ou privadas para uso profissional

Atenção: em muitas ferramentas, essas configurações precisam ser feitas manualmente e nem sempre são evidentes.


Inteligência Artificial no ambiente corporativo exige cuidado redobrado

Empresas que permitem o uso irrestrito de ferramentas gratuitas de IA, sem diretrizes claras, acabam se expondo a riscos como:

  • vazamento de informações estratégicas
  • violação de cláusulas contratuais de confidencialidade
  • descumprimento da LGPD
  • riscos trabalhistas e regulatórios
  • danos à reputação institucional

Por esse motivo, a DataShield recomenda que organizações adotem, no mínimo:

  • uma política corporativa de uso de Inteligência Artificial
  • classificação da informação
  • treinamentos contínuos para colaboradores
  • avaliação de riscos de fornecedores de IA
  • governança e registro de decisões automatizadas

O posicionamento da DataShield

A Inteligência Artificial é uma aliada poderosa quando utilizada com responsabilidade, governança e conformidade legal.

O problema não está na tecnologia em si, mas no uso inconsciente, especialmente em ambientes gratuitos que não oferecem garantias adequadas de privacidade e segurança da informação.

Antes de utilizar qualquer ferramenta de IA, vale fazer uma pergunta simples e fundamental:

“Se esse dado vazar, qual será o impacto para mim ou para a minha empresa?”


Conclusão: o gratuito pode sair caro

A IA gratuita é prática, rápida e sedutora. O custo oculto pode ser a perda de controle sobre dados críticos.

Privacidade não impede a inovação. Pelo contrário. É o que permite inovar de forma sustentável, segura e responsável.


Sobre a DataShield Brasil

A DataShield Brasil atua na proteção de dados pessoais, adequação à LGPD, governança da informação, segurança da informação e gestão de riscos. Apoia empresas e instituições públicas na adoção consciente e segura de tecnologias emergentes, incluindo Inteligência Artificial.

Além disso, a DataShield realiza avaliações de maturidade em privacidade, identificando riscos, falhas e oportunidades de melhoria, oferece acompanhamento contínuo, suporte ao Encarregado de Dados e treinamentos verticalizados em privacidade, LGPD e uso responsável da Inteligência Artificial.

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